quinta-feira, 31 de maio de 2012

Luzes entorpecentes


Torturar-se mediante luzes entorpecentes,
Pairando sobre seu estômago vazio,
Querendo preencher esse buraco em sua mente,
Sonhando com algo doentio.

Beber em busca de prazeres superficiais,
Com a cabeça atolada em ideologias ocas.
Supondo fantasias eróticas – carnais,
Parecendo uma fina moça.

Como suplantar fatalidades vãs,
Vivenciando esquinas matinais,
Comungando da matilha alheia,
A sugar leite dos divãs.

(30/05/2012)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Relatório da Causa: Denúncia do abandono do prédio e conscientização da importância histórica da antiga alfândega de Aracaju




Histórico:

Para exercer o papel de arrecadadora da renda nas cobranças de impostos, em fevereiro de 1836, se dá a criação da Alfândega em Aracaju, transferindo-se logo, pelo Barão do Cotinguiba, no decorrer do mesmo ano, para a cidade de Laranjeiras, substituída mais tarde pela Barra dos Coqueiros, Porto das Redes, de volta para Barra dos Coqueiros, e por fim, através de um decreto em 1854, do presidente da Província Inácio Joaquim Barbosa, para o povoado de Aracaju, que um ano depois se tornaria a capital da Província.
O prédio da Alfândega, localizado na Praça General Valadão, no Centro Histórico de Aracaju, construído no ano de 1854 e reformado na primeira metade do século XX. Foi tombado pelo Governo do Estado através do decreto nº 21.765, de 09 de abril de 2003. Já em 2005, o edifício foi transferido da União para a Prefeitura de Aracaju.
Uma vistoria da Secretária de Patrimônio da União em Sergipe, realizada em abril de 2008, constatou o estado deplorável de conservação do prédio e a necessidade de reforma urgente. Em 2010, o Ministério Público Federal expediu uma recomendação para que o prédio da antiga Alfândega de Aracaju seja recuperado. A prefeitura de Aracaju anunciou alguns anos atrás que tem um projeto para transformar o prédio da Alfândega numa Casa de Cultura, com a construção de salas de teatro e cinema, cybercafé e espaço para exposição de arte, sem alterar sua conformação arquitetônica.
O presidente da Emurb prometeu ainda para o ano de 2010 o inicio das obras, porém, o ano de 2010 se foi, 2011 chegou e nada foi feito até o presente momento.

Objetivos:
Explicitar o estado deplorável do prédio da Alfândega de Aracaju, abandonado pela prefeitura. Denunciar entre as diversas redes sociais seu péssimo estado de conservação.
Retomar a discussão adormecida desde 2008, quando da última reunião com diversos setores da sociedade sergipana.
Posições:
Retomar a discussão adormecida desde 2008, quando da última reunião com diversos setores da sociedade sergipana.
Conscientizar a sociedade e a prefeitura de Aracaju, sobre a importância histórica do prédio da alfândega para Sergipe.
Que o MPF pressione o IPHAN pelo tombamento do antigo prédio da Alfândega como patrimônio nacional
Apresentação do projeto da prefeitura que transforma o prédio da antiga Alfândega em casa de cultura à sociedade Civil.
Reformar imediata do prédio, pois o mesmo se encontra em péssimo estado.

Para aprofundarmos nosso conhecimento sobre a história do Prédio da Antiga Alfândega, começamos nossa pesquisa na internet e no IHGS, buscando textos que relatassem sobre o histórico deste prédio. E, além disso, procuramos, novamente, na internet, textos que explicitassem o atual estado de abandono da Antiga Alfândega.
A partir dessas pesquisas, encontramos um artigo no qual é relatado que o Ministério Público Federal de Sergipe (MPF/SE), conclamava, através de uma Recomendação à Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), à Secretária de Cultura do Estado de Sergipe, ao superintendente do Patrimônio da União no estado de Sergipe e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a responsabilização do referidos órgãos pelo atual estado de abandono e depredação do patrimônio em questão.
Percebendo esta problemática, resolvemos ir ao MPF/SE para solicitar o documento citado acima e podermos entender melhor porque mesmo com esta ação, o Prédio da Antiga Alfândega continua num estado deplorável. Para termos acesso a este documento, foi necessário agendarmos uma audiência com o Procurador responsável pela Recomendação, feito isso, voltamos no dia em que foi marcada a audiência e conseguimos o documento, e além disso, dialogamos com o Procurador José Rômulo Silva Almeida, explicitando sobre o nosso trabalho da disciplina Temas de História de Sergipe II, e falando sobre a importância histórica do prédio e como foi importante este trabalho indicado pelo professor Dr. Antônio Lindvaldo Sousa, para resgatarmos partes da história sergipana.
Consequentemente, decidimos, logo após a audiência com o Procurador, visitar o Prédio da Antiga Alfândega para visualizarmos se as recomendações do documento e se o compromisso firmado da PMA com o MPF/SE, em relação à manutenção do patrimônio estava sendo cumprido. Ao observarmos o prédio notamos que funções básicas, como “a colocação de tapumes no entorno do imóvel, para fins de isolamento total da área a ser restaurada, evitando-se depredações e roubos de materiais; colocação de uma cobertura provisória; e a completa limpeza interna do imóvel” que haviam sido recomendadas pelo MPF no documento, não estavam sendo realizadas. Estas situações, aliada aos fatores climáticos e ação de vândalos, contribuíram para que o Prédio da Antiga Alfândega esteja num estado de total abandono e depredação.
O Procurador José Rômulo nos informou que a União foi julgada e condenada a cuidar da reforma e manutenção do Prédio da Antiga Alfândega, porém, a PMA, em juízo, atribui a si a designações dadas a União, comprometendo-se com este patrimônio. Atualmente, segundo o Procurador, por questões burocráticas de licitações a PMA ainda está se organizando para a transformação do prédio, através de um projeto da mesma, numa Casa de Cultura; quanto a este projeto, não tivemos acesso.
Concluindo, nota-se que existe um sério descaso com estrutura física do Prédio da Antiga Alfândega, e ainda mais, que a Prefeitura Municipal de Aracaju relegou o prédio ao abandono, fazendo com que uma parte da história da cidade de Aracaju torne-se esquecida. E, deixando que um patrimônio tombado, diante de seu atual estado acabe ruindo. Isso mostra o quanto as autoridades sergipanas responsáveis não se preocupam em salvaguardar partes da nossa história.

Recomendação do MPF/SE acatada pela Prefeitura Municipal de Aracaju:


Colocação de tapumes no entorno do imóvel, para fins de isolamento total da área a ser restaurada, evitando-se depredações e roubos de materiais:







Colocação de uma cobertura provisória: 




A completa limpeza interna do imóvel:




Como vemos a Prefeitura Municipal de Aracaju, a cidade da qualidade de vida, cumpre todas as obrigações a que se propõe.
Fotos: Luiz Ferreira
Texto: Marcos Vicente

Recomendação do MPF/SE acatada pela Prefeitura Municipal de Aracaju:



Colocação de tapumes no entorno do imóvel, para fins de isolamento total da área a ser restaurada, evitando-se depredações e roubos de materiais:

Colocação de uma cobertura provisória:




A completa limpeza interna do imóvel:
Fotos: Luiz Ferreira
Como vemos a Prefeitura Municipal de Aracaju, a cidade da qualidade de vida, cumpre todas as obrigações a que se propõe.

Recomendação do Ministério Público Federal de Sergipe

O Ministério Público Federal, na pessoal do Procurador da República José Rômulo Silva Almeida, recomenda, não só a Prefeitura Municipal de Aracaju, mas também a Secretaria de Cultura do Estado de Sergipe e a União, a adoção de medidas necessárias a fim de executar as obras emergenciais para impedir, provisoriamente, uma deterioração ainda maior da que já está evidente, para tomar algumas medidas como: “a) a colocação de tapumes no entorno do imóvel, para fins de isolamento total da área a ser restaurada, evitando-se depredações e roubos de materiais; b) colocação de uma cobertura provisória: e c) a completa limpeza interna do imóvel”.
A área do prédio foi isolada, tanto para a conservação do mesmo, como para asseguras a integridade das pessoas que por ali trafegam, pois corriam risco, pois o telhado já começara a cair. O tapume já não protege mais o prédio, pois parte dele já caiu e o acesso ao mesmo agora é livre, aumentando o risco dos que entrarem ali e também a depredação do imóvel pelo os que entram.
A cobertura nunca foi colocada, segundo o próprio Procurador, pela prefeitura achar que sairia caro forrar o local. Pelo sim, pelo não, só sabemos que o telhando vai resistindo como dá, mostrando-se frágil em algumas partes que já caíram, não mais atrapalhando a luz do sol, ou mesmo as chuvas de adentarem o local e depredar ainda mais o prédio.
Quanto à limpeza, só pode ser uma piada. Há telhas de Eternit pelo chão, presa nas madeiras que ainda seguram o resto do telhado, pedaços de pedras e também fezes de pessoas que usam o seu interior como banheiro, mesmo porque, que eu me lembre não há banheiro público ali por perto. Ou seja, a limpeza já há algum tempo que não vem sendo feita. E olha que o MPF-SE deu trinta dias para que isso fosse feito, além da apresentação do projeto, que já foi entregue, além do cronograma das atividades que estão sendo feitas no local.
Para concluir, um prazo de noventa dias foi dado ao IPHAN para revisar a decisão que interferiu o tombamento federal do prédio, devido às reformas que resultaram em mudanças arquitetônicas ao imóvel, desde a sua construção. Essa recomendação foi emitida em 24 de fevereiro de 2010, mas nada, ou quase nada ainda foi feito. “Até quando esperar”?

De quem é culpa pela má conservação do Prédio da Antiga Alfândega?


Este prédio é de responsabilidade da União desde sua construção, em 1854, passando por sua primeira reforma na primeira metade do século XX, até a sua ultima reforma, no terceiro quarto deste mesmo século. Foi tombado pelo Decreto Estadual n° 21765 (fls. 156/157) de 09 de abril de 2003. Pouco menos de dois anos, em 18 de março de 2005, a Prefeitura de Aracaju formalizou um pedido de cessão do uso gratuito do prédio da Antiga Alfândega, a União que já há algum tempo tinha deixado o prédio de lado, aceitou de bom grado a oferta da PMA, em transforma-lo em um “Centro Cultural Interativo de Aracaju”, ficando a cabo da PMA a reforma e a procura por investimento para esse projeto, fixando um prazo de dois anos, depois da assinatura do contrato, para colocar o projeto em prática, ou seja, até o ano de 2007 para entregar o prédio reformado. Também no contrato, em sua cláusula sétima, a Prefeitura Municipal de Aracaju fica ainda “obrigada a zelar pelo bem cedido e realizar sua fiscalização, conservação e guarda”.
Mas o que aconteceu ao Prédio da Antiga Alfândega até agora (junho de 2011)? Nada! Nada aconteceu, ou melhor, aconteceu sim! O prédio está desocupado, entreguem ao tempo, ABANDONADO. Seu telhando já começou a cair, quase não há mais portas e janelas, e até a proteção, que antes o “protegia”, no chão está, pelo menos parte dela. Mas isso não é de agora, nos dias 15 e 16 de abril de 2008 a Secretaria de Patrimônio da União em Sergipe, “constatou que o referido bem, em seu conjunto, encontra-se [em] uma situação deplorável de conservação, necessitando uma reforma geral urgente, pois, no estado em que se encontra, coloca em risco a população que por ali transita diariamente”, ou seja, há mais de três anos que o prédio da Alfândega precisa de uma reforma geral urgente.
Mas então de quem é culpa pelo abandono do prédio? Segundo o próprio Procurador da República, José Rômulo Silva de Almeida, a culpa é da União, pois é a responsável direta pela atual má condição do prédio, pois como dito antes, é a União a “dona” do imóvel. A culpa é do Governo do Estado de Sergipe, já que o tombou e nenhuma melhoria foi feita, ou seja, não saíra do papel. E por último, mas não menos importante, da Prefeitura Municipal de Aracaju, por ter se comprometido junto à união para reformar esse prédio, que pelo contrato, era pra ter sido concluída em 2007. Com isso, tanto para o Procurador José Rômulo, quanto para nós, a Prefeitura de Aracaju, o Governo de Sergipe e a União são responsáveis pelo atual estado de conservação do Prédio da Antiga Alfândega, cabendo à reforma a PMA, por esta ter se comprometido em juízo.

Recomendação do MPF à PMA, à Secretária de Cultura do Estado de Sergipe, ao superintendente do Patrimônio da União no estado de Sergipe e ao IPHAN