domingo, 1 de dezembro de 2013

Repetições


Querer, querer, querer
Dor, Dor, Dor
Vazio, Vazio, Vazio

Querer vazio dor
Dor vazio querer
Dor querer vazio
Vazio querer dor

Dor dor dói
Vazio querer quero
Dor vazio vida vazia

Querer eu quero
Vazio eu quero

Dor querer dor

Artimanhãs



Ao som de Sangue Latino
Esperando um ônibus sucateado
Querendo uma roçada matinal
A caminho de uma praia povoada de grãos de areia
Procurando uma sombra para esquentar
A pensar e acreditar em paixões passageiras
Mesmo sabendo que as marcas de uma penetração são indelevéis
Como ter certeza de que minhas buscas não são formas
Ineficazes de responder às carências?
E, que a natureza em toda a sua sabedoria
Responde cantarolando através das ondas do mar algo inexplicável
Impor limites é um modo de esconder as imperfeições, e cercear a brisa marítima
Que entope suas narinas e descongestiona as suas percepções e vontades
Esperando ser notado por uma pegada
Numa mata densa como a mente de uma criança

A desejar apenas uma ejaculação de sentimentos ambíguos e precoces

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Pieguices meritórias

Uma vontade de me despedaçar ao meio
Como se algo pudesse aparecer
Sem entender que me (re)constituir
Significa partir do tudo que é o nada.

Emoções melancólicas como dores crônicas
Sentí-lo me faz entender o que não sou
Vontade de gritar até o inferno
O que vivo, e o que eu não sei viver.

Como sair de um poço cavado
Pela minha (de)esperança e desespero

Ao perceber um luar vulgar,
me lembro da vulgaridade do teu
Singular e único olhar.

Minha mente se agita ao pensar
em você, parecido com minhas mãos
após uma cachaçada.

Querer-te parece tão fácil
Porém, o conflito entre minhas ideologias,
minha experiência, e minha infantilidade
Me fazem vacilar a qualquer passo que possa
me aproximar de ti.


27-12-2012

Malícias


Titular necessidades inválidas
Mente doentia vivenciando tudo,
Experimentar vitórias fragmentadas,
Ao oposto do senso estúpido.

Conselhos desnecessários,
Decadências futurísticas,
Tolos arbritários,
Miragens intimistas.

27-12-2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Ados ao Inferno

Porque esses ados corrompem nosso cerebelo?
Retardado, lesado, namorado, apaixonado
Qual a real necessidade disso?

Estes ados, edos, idos, odos, udos
São todos imundos
Incompreensivos e nocivos

E porque não corromper nossa mente?
Qual a precisão de ter uma cabeça sadia?
Quero é mesmo a idiotice e a sentimentalidade!

23-11-2012

segunda-feira, 10 de setembro de 2012


 Negligência

Intenso em doses únicas
Vontades incontroláveis
Auto destruição massificada
Liberdade desperdiçada

Beberrão por compulsões
Que possuem raízes profundas
E a ideia de uma vida desregrada
Vivendo numa regra

Sabedoria fútil
Idiotices que pairam sobre
Um ser (in)compreendido por alguém
Ou que nem deseja isso

(10-09-2012)

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Inexpressividade

Permissivo só porque não tento
conter as maldades do outro
Politicamente correto é igual
a liberdade de expressão?
E viver como alguém revoltado,
que na verdade pode ser apenas mais
um reprodutor de ideias.
Achar normal a vontade de cada
indivíduo ser feliz, e ao mesmo tempo
me restringir por comoção.
Dor, anarquia e frustração,
são comparados a futilidades .
Sem pensar na nossa vida alheia
e normatizada pelo linguajar próprio a mim.

(2012 - Casa de Juh)

terça-feira, 4 de setembro de 2012


Caricaturas de um belo eu

Ao observar pela janela do ônibus,
Percebo amargura, ódio e raiva.
E noto que vejo o meu reflexo,
Num enfoque inteligível.

Esta pletora de sentimentos
Sempre a me rondar
Me fazendo entender  o que pensou que sou,
Mesmo sabendo a hipocrisia,
Dessa suposição descabida.

Emoções intensificadas,
Por vivências inenarráveis e
Experiências abstratas.

Como explicar essa face deformada
Por melancolias intensas,
E para que compreender esse nada que me compõe.

(04-09-2012)


Sepulcros desenterrados


O fim de semana chega (sexta à noite), e Orlando como sempre deseja sair com seus amigos para curtir suas experiências desmesuradas, que acredita ser únicas, ou é simplesmente a repetição de uma vida monótona.

No mesmo local em que costuma beber a goles intensos as suas dolorosas, porém divertidas experiências, nota uma pessoa que fez parte de um passado inominável, e um presente indescritível. É Arthur, um homem cujo olhar lançado em Orlando, consegue lhe fazer sentir um misto de sentimentos: desde um desejo incontrolável de beijar os seus lábios adocicados até uma vontade de chorar todas as suas mágoas e frustrações. Os dois não percebem o quanto as situações mais corriqueiras transformam suas vidas em sofrimento e felicidade.

A partir daquela noite em que se despediam de um amigo em comum, algo mudou completamente, já não podia continuar a permanência de um passado incompreendido. Logo após, Orlando e Arthur encontraram – se novamente e não havia mais como negar, os dois se atraíam apenas pela necessidade de se tocarem mais uma vez, e tentar entender que o que sentiam um pelo outro não mudara. E, sim, o que haviam construído, um pelo outro, permanecera intacto. Orlando diz:

- Eu não estou apaixonado por você, porque nada verdade Eu te amo! Pois, consegui rejeitar qualquer tormenta para estar do seu lado.

E os olhos de Arthur brilharam como se ele tivesse avistado a existência de um paraíso.

Em um sábado com uma chuva daquelas que mesmo sem te tocar lavam seu âmago, os dois se encontravam no apartamento de Arthur, a beber drinques e escutar canções melancólicas que apenas aumentavam a cumplicidade daquelas duas almas, que permaneciam unidas de alguma forma inexplicável.

Orlando e Arthur continuam a buscar uma liberdade (em todas as possibilidades significativas que surgem entre os dois), que por vezes é difícil de controlar, mas, nela se encontram plenamente esse dois rapazes.


(04-09-2012)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Noite embriagada


Ele entrou tímido no recinto e pensou:
- Todos me observam
Enquanto a plateia curtia o show de algo que nem sabia que era bom; mas, ao estar lá percebeu que algo não era seu, ou era, ficou a perguntar-se.
Chega um estranho chamado Brando, que finge ser um ator de qualquer comédia e pede-lhe que dê um sorriso, pensando que o que vê é a beleza inata; sem notar ínfimas diferenças.
Diferenças a parte, a vontade de falar com o cara novo explodia no seu peito; mesmo se sentido desvairado, depois de dançar a noite toda no local que escolhera por malícia. E ele fala com Brando:
- Ei! Que vontade de te sentir em mim.
- Mesmo sabendo que não estou afim. Explorar tudo em mim é nocivo, mas, é interessante.
Os dois se sentam, proseando sobre um passado próximo, que compartilham comumente, da forma mais simplista. Certos de que se entendo mutuamente era melhor; logo chega um moreno cabisbaixo e roto, chamado Aldo, que diz interessar-se por ele e não por Brando:
- Eu gosto de você!
- Aldo, deixe de loucura – disse Gabriel.
Logos os três se entreolham e notam que fidelidade é a persistência para o nada; pois, os mesmos queriam nada mais do que carícias, ou uma foda a três que pudesse situá-los em si. O que foi um ménage à troi, poderia ser apenas três colegas experimentando o que queriam...
No inverno os dois se aproximaram mais, mesmo sentindo que o terceiro, Brando, poderia completá-los; sentir falta foi algo posterior, os dois viviam o nada e o tudo da mesma forma. A convivência tornou-se evidente para que percebia, e ao cair da neve perceberam que nada seria o mesmo, no calor extremo viviam situações conflituantes e únicas, e se amavam certos de que o certo era errado comumente.

(Março - 2012)

Semelhanças entre o nada e você


Ser o que você não é,
Cabelos da puberdade escorrendo em teu nariz
Olhos destroçados pelos sentimentos ambíguos
Homens caminhando
Desfilando seus rebolados
Um eu catatônico remoendo braços
Pensando em passados inexistentes
Cadê aqueles que vivem comigo?
Como está o eu que convive com este ser?
Chatice demasiada? Pieguice total?
Nus abstratos de uma pessoa que se
Despiu completamente.
Fantasia de um louco bêbado
Pensando que pode ser qualquer coisa
Julgar outrem de forma pitoresca percebendo
semelhanças entre o nada e você, doer o que se sente
mesmo sendo mentira
Imaginar que sua competência é igual a dormir
Notadamente o que você fala,
Sente ou vê é ridículo.

A morte é uma vivência abstrata
Lhe dizem isso o tempo todo, certo
De que você vai superar o nada
Mesmo sabendo que sua concepção
De qualquer coisa é certo ou
Errado na perspectiva de que o
Que eu penso é idiotice
Ser você mesmo é uma forma
Que outras pessoas hipócritas
Têm de dizer que você é fraco,
Ou que o proposto por você
Só é vivenciado por aqueles que te querem;
E que outrem fode com você,
depois goza branca e puramente na sua cara, fingindo
que nada é tão importante quanto ele
Cedo é pensado que nascer contribui
para uma vida patética.

(Março - 2012)


Luzes entorpecentes


Torturar-se mediante luzes entorpecentes,
Pairando sobre seu estômago vazio,
Querendo preencher esse buraco em sua mente,
Sonhando com algo doentio.

Beber em busca de prazeres superficiais,
Com a cabeça atolada em ideologias ocas.
Supondo fantasias eróticas – carnais,
Parecendo uma fina moça.

Como suplantar fatalidades vãs,
Vivenciando esquinas matinais,
Comungando da matilha alheia,
A sugar leite dos divãs.

(30/05/2012)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Relatório da Causa: Denúncia do abandono do prédio e conscientização da importância histórica da antiga alfândega de Aracaju




Histórico:

Para exercer o papel de arrecadadora da renda nas cobranças de impostos, em fevereiro de 1836, se dá a criação da Alfândega em Aracaju, transferindo-se logo, pelo Barão do Cotinguiba, no decorrer do mesmo ano, para a cidade de Laranjeiras, substituída mais tarde pela Barra dos Coqueiros, Porto das Redes, de volta para Barra dos Coqueiros, e por fim, através de um decreto em 1854, do presidente da Província Inácio Joaquim Barbosa, para o povoado de Aracaju, que um ano depois se tornaria a capital da Província.
O prédio da Alfândega, localizado na Praça General Valadão, no Centro Histórico de Aracaju, construído no ano de 1854 e reformado na primeira metade do século XX. Foi tombado pelo Governo do Estado através do decreto nº 21.765, de 09 de abril de 2003. Já em 2005, o edifício foi transferido da União para a Prefeitura de Aracaju.
Uma vistoria da Secretária de Patrimônio da União em Sergipe, realizada em abril de 2008, constatou o estado deplorável de conservação do prédio e a necessidade de reforma urgente. Em 2010, o Ministério Público Federal expediu uma recomendação para que o prédio da antiga Alfândega de Aracaju seja recuperado. A prefeitura de Aracaju anunciou alguns anos atrás que tem um projeto para transformar o prédio da Alfândega numa Casa de Cultura, com a construção de salas de teatro e cinema, cybercafé e espaço para exposição de arte, sem alterar sua conformação arquitetônica.
O presidente da Emurb prometeu ainda para o ano de 2010 o inicio das obras, porém, o ano de 2010 se foi, 2011 chegou e nada foi feito até o presente momento.

Objetivos:
Explicitar o estado deplorável do prédio da Alfândega de Aracaju, abandonado pela prefeitura. Denunciar entre as diversas redes sociais seu péssimo estado de conservação.
Retomar a discussão adormecida desde 2008, quando da última reunião com diversos setores da sociedade sergipana.
Posições:
Retomar a discussão adormecida desde 2008, quando da última reunião com diversos setores da sociedade sergipana.
Conscientizar a sociedade e a prefeitura de Aracaju, sobre a importância histórica do prédio da alfândega para Sergipe.
Que o MPF pressione o IPHAN pelo tombamento do antigo prédio da Alfândega como patrimônio nacional
Apresentação do projeto da prefeitura que transforma o prédio da antiga Alfândega em casa de cultura à sociedade Civil.
Reformar imediata do prédio, pois o mesmo se encontra em péssimo estado.

Para aprofundarmos nosso conhecimento sobre a história do Prédio da Antiga Alfândega, começamos nossa pesquisa na internet e no IHGS, buscando textos que relatassem sobre o histórico deste prédio. E, além disso, procuramos, novamente, na internet, textos que explicitassem o atual estado de abandono da Antiga Alfândega.
A partir dessas pesquisas, encontramos um artigo no qual é relatado que o Ministério Público Federal de Sergipe (MPF/SE), conclamava, através de uma Recomendação à Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), à Secretária de Cultura do Estado de Sergipe, ao superintendente do Patrimônio da União no estado de Sergipe e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a responsabilização do referidos órgãos pelo atual estado de abandono e depredação do patrimônio em questão.
Percebendo esta problemática, resolvemos ir ao MPF/SE para solicitar o documento citado acima e podermos entender melhor porque mesmo com esta ação, o Prédio da Antiga Alfândega continua num estado deplorável. Para termos acesso a este documento, foi necessário agendarmos uma audiência com o Procurador responsável pela Recomendação, feito isso, voltamos no dia em que foi marcada a audiência e conseguimos o documento, e além disso, dialogamos com o Procurador José Rômulo Silva Almeida, explicitando sobre o nosso trabalho da disciplina Temas de História de Sergipe II, e falando sobre a importância histórica do prédio e como foi importante este trabalho indicado pelo professor Dr. Antônio Lindvaldo Sousa, para resgatarmos partes da história sergipana.
Consequentemente, decidimos, logo após a audiência com o Procurador, visitar o Prédio da Antiga Alfândega para visualizarmos se as recomendações do documento e se o compromisso firmado da PMA com o MPF/SE, em relação à manutenção do patrimônio estava sendo cumprido. Ao observarmos o prédio notamos que funções básicas, como “a colocação de tapumes no entorno do imóvel, para fins de isolamento total da área a ser restaurada, evitando-se depredações e roubos de materiais; colocação de uma cobertura provisória; e a completa limpeza interna do imóvel” que haviam sido recomendadas pelo MPF no documento, não estavam sendo realizadas. Estas situações, aliada aos fatores climáticos e ação de vândalos, contribuíram para que o Prédio da Antiga Alfândega esteja num estado de total abandono e depredação.
O Procurador José Rômulo nos informou que a União foi julgada e condenada a cuidar da reforma e manutenção do Prédio da Antiga Alfândega, porém, a PMA, em juízo, atribui a si a designações dadas a União, comprometendo-se com este patrimônio. Atualmente, segundo o Procurador, por questões burocráticas de licitações a PMA ainda está se organizando para a transformação do prédio, através de um projeto da mesma, numa Casa de Cultura; quanto a este projeto, não tivemos acesso.
Concluindo, nota-se que existe um sério descaso com estrutura física do Prédio da Antiga Alfândega, e ainda mais, que a Prefeitura Municipal de Aracaju relegou o prédio ao abandono, fazendo com que uma parte da história da cidade de Aracaju torne-se esquecida. E, deixando que um patrimônio tombado, diante de seu atual estado acabe ruindo. Isso mostra o quanto as autoridades sergipanas responsáveis não se preocupam em salvaguardar partes da nossa história.

Recomendação do MPF/SE acatada pela Prefeitura Municipal de Aracaju:


Colocação de tapumes no entorno do imóvel, para fins de isolamento total da área a ser restaurada, evitando-se depredações e roubos de materiais:







Colocação de uma cobertura provisória: 




A completa limpeza interna do imóvel:




Como vemos a Prefeitura Municipal de Aracaju, a cidade da qualidade de vida, cumpre todas as obrigações a que se propõe.
Fotos: Luiz Ferreira
Texto: Marcos Vicente

Recomendação do MPF/SE acatada pela Prefeitura Municipal de Aracaju:



Colocação de tapumes no entorno do imóvel, para fins de isolamento total da área a ser restaurada, evitando-se depredações e roubos de materiais:

Colocação de uma cobertura provisória:




A completa limpeza interna do imóvel:
Fotos: Luiz Ferreira
Como vemos a Prefeitura Municipal de Aracaju, a cidade da qualidade de vida, cumpre todas as obrigações a que se propõe.

Recomendação do Ministério Público Federal de Sergipe

O Ministério Público Federal, na pessoal do Procurador da República José Rômulo Silva Almeida, recomenda, não só a Prefeitura Municipal de Aracaju, mas também a Secretaria de Cultura do Estado de Sergipe e a União, a adoção de medidas necessárias a fim de executar as obras emergenciais para impedir, provisoriamente, uma deterioração ainda maior da que já está evidente, para tomar algumas medidas como: “a) a colocação de tapumes no entorno do imóvel, para fins de isolamento total da área a ser restaurada, evitando-se depredações e roubos de materiais; b) colocação de uma cobertura provisória: e c) a completa limpeza interna do imóvel”.
A área do prédio foi isolada, tanto para a conservação do mesmo, como para asseguras a integridade das pessoas que por ali trafegam, pois corriam risco, pois o telhado já começara a cair. O tapume já não protege mais o prédio, pois parte dele já caiu e o acesso ao mesmo agora é livre, aumentando o risco dos que entrarem ali e também a depredação do imóvel pelo os que entram.
A cobertura nunca foi colocada, segundo o próprio Procurador, pela prefeitura achar que sairia caro forrar o local. Pelo sim, pelo não, só sabemos que o telhando vai resistindo como dá, mostrando-se frágil em algumas partes que já caíram, não mais atrapalhando a luz do sol, ou mesmo as chuvas de adentarem o local e depredar ainda mais o prédio.
Quanto à limpeza, só pode ser uma piada. Há telhas de Eternit pelo chão, presa nas madeiras que ainda seguram o resto do telhado, pedaços de pedras e também fezes de pessoas que usam o seu interior como banheiro, mesmo porque, que eu me lembre não há banheiro público ali por perto. Ou seja, a limpeza já há algum tempo que não vem sendo feita. E olha que o MPF-SE deu trinta dias para que isso fosse feito, além da apresentação do projeto, que já foi entregue, além do cronograma das atividades que estão sendo feitas no local.
Para concluir, um prazo de noventa dias foi dado ao IPHAN para revisar a decisão que interferiu o tombamento federal do prédio, devido às reformas que resultaram em mudanças arquitetônicas ao imóvel, desde a sua construção. Essa recomendação foi emitida em 24 de fevereiro de 2010, mas nada, ou quase nada ainda foi feito. “Até quando esperar”?

De quem é culpa pela má conservação do Prédio da Antiga Alfândega?


Este prédio é de responsabilidade da União desde sua construção, em 1854, passando por sua primeira reforma na primeira metade do século XX, até a sua ultima reforma, no terceiro quarto deste mesmo século. Foi tombado pelo Decreto Estadual n° 21765 (fls. 156/157) de 09 de abril de 2003. Pouco menos de dois anos, em 18 de março de 2005, a Prefeitura de Aracaju formalizou um pedido de cessão do uso gratuito do prédio da Antiga Alfândega, a União que já há algum tempo tinha deixado o prédio de lado, aceitou de bom grado a oferta da PMA, em transforma-lo em um “Centro Cultural Interativo de Aracaju”, ficando a cabo da PMA a reforma e a procura por investimento para esse projeto, fixando um prazo de dois anos, depois da assinatura do contrato, para colocar o projeto em prática, ou seja, até o ano de 2007 para entregar o prédio reformado. Também no contrato, em sua cláusula sétima, a Prefeitura Municipal de Aracaju fica ainda “obrigada a zelar pelo bem cedido e realizar sua fiscalização, conservação e guarda”.
Mas o que aconteceu ao Prédio da Antiga Alfândega até agora (junho de 2011)? Nada! Nada aconteceu, ou melhor, aconteceu sim! O prédio está desocupado, entreguem ao tempo, ABANDONADO. Seu telhando já começou a cair, quase não há mais portas e janelas, e até a proteção, que antes o “protegia”, no chão está, pelo menos parte dela. Mas isso não é de agora, nos dias 15 e 16 de abril de 2008 a Secretaria de Patrimônio da União em Sergipe, “constatou que o referido bem, em seu conjunto, encontra-se [em] uma situação deplorável de conservação, necessitando uma reforma geral urgente, pois, no estado em que se encontra, coloca em risco a população que por ali transita diariamente”, ou seja, há mais de três anos que o prédio da Alfândega precisa de uma reforma geral urgente.
Mas então de quem é culpa pelo abandono do prédio? Segundo o próprio Procurador da República, José Rômulo Silva de Almeida, a culpa é da União, pois é a responsável direta pela atual má condição do prédio, pois como dito antes, é a União a “dona” do imóvel. A culpa é do Governo do Estado de Sergipe, já que o tombou e nenhuma melhoria foi feita, ou seja, não saíra do papel. E por último, mas não menos importante, da Prefeitura Municipal de Aracaju, por ter se comprometido junto à união para reformar esse prédio, que pelo contrato, era pra ter sido concluída em 2007. Com isso, tanto para o Procurador José Rômulo, quanto para nós, a Prefeitura de Aracaju, o Governo de Sergipe e a União são responsáveis pelo atual estado de conservação do Prédio da Antiga Alfândega, cabendo à reforma a PMA, por esta ter se comprometido em juízo.

Recomendação do MPF à PMA, à Secretária de Cultura do Estado de Sergipe, ao superintendente do Patrimônio da União no estado de Sergipe e ao IPHAN












Prédios históricos resistem ao tempo e são símbolos de Aracaju

Todos os textos enviados até agora, são de 2010, ou seja, desde Maio de 2010, há exatamente um ano, nada foi feito ainda para mudar a situação do prédio, nada. 

Aqueles noventa dias para a Prefeitura de Aracaju apresentar o projeto, já passa de 360... Mas no site da PMA diz: “Prédios históricos resistem ao tempo e são símbolos de Aracaju”. Resistirão até quando? E são símbolos de quê? Do descaso!?


Por Hádam Lima

Desde a disposição das ruas em formato de tabuleiro de xadrez, passando pelo advento dos arranha-céus, até os dias atuais, uma série de intervenções urbanísticas modificou a face de Aracaju. Com a sucessão das gerações de aracajuanos e de novos padrões arquitetônicos, várias construções tornaram-se símbolos da capital sergipana. Entre as que resistiram ao tempo e continuam na memória estão o edifício Estado de Sergipe, o prédio da antiga alfândega e o Palácio Serigy, que sucedeu o famoso ‘Cadeião'.


Palácio Serigy, que hoje abriga a Secretaria de Estado da Saúde, está situado no
mesmo local onde antes funcionava a Cadeia Pública de Sergipe
(Foto: André Moreira)


Localizado em frente à praça General Valadão, no Centro de Aracaju, o Palácio Serigy foi inaugurado em 28 de novembro de 1938, para abrigar as secretarias de Estado da Saúde e Agricultura. Sua arquitetura, conforme o historiador Amâncio Cardoso, segue o estilo Art Déco. "É um prédio grande, com linhas retas, arrojadas", diz o historiador, destacando que as características remetem ao regime ditatorial imposto pela Era Vargas (1930-45).

Mas os aracajuanos que têm idade mais avançada, ou os mais novos que conhecem bem a história do município, lembram mesmo é de uma outra edificação que também marcou época naquele local. Construída no final do século XIX, a Cadeia Pública de Sergipe, popularmente chamada de ‘Cadeião', prometia ser a primeira a pensar num moderno sistema prisional para a época. "Era algo que não existia em Aracaju", comenta Amâncio. Segundo ele, antes disso os presos ficavam alojados em casebres alugados.

"A idéia era que fosse uma reclusão com trabalho, que o criminoso fosse reinserido na sociedade através do trabalho, mas era algo feito com muita precariedade", coloca o historiador. Apesar de possuir os instrumentos e material humano necessários, o sistema prisional, considerado um dos mais inovadores para os padrões de segurança pública daquela época, não foi bem administrado e acabou extinto.

"A Cadeia foi derrubada, os presos foram transferidos para o presídio do bairro América, que era ainda mais moderno, e naquele local, alguns anos depois, construíram outro prédio do mesmo porte", diz o historiador. Assim surgiu o palácio Serigy, que atualmente abriga apenas a secretaria de Estado da Saúde.

Alfândega

Mais antigo dos três prédios, a antiga alfândega de Aracaju foi erguida na segunda metade do século XIX, também na Praça General Valadão. O episódio que a deixou mais conhecida aconteceu após o desembarque do imperador Dom Pedro II e da imperatriz Dona Teresa Cristina, que chegaram a Sergipe no ano de 1860. "Foi ali no prédio da alfândega que ocorreu o baile durante a visita do imperador Dom Pedro e sua comitiva", afirma Amâncio Cardoso.

Prédio da antiga Alfândega (Foto: Alejandro Zambrana)

Com o tempo, o prédio passou à Receita Federal, foi reformado na segunda metade do século XX e veio a ser desativado após muitos anos, já no final do mesmo século. Em 2003, o Governo do Estado o tombou através do decreto n° 21.765. A Prefeitura de Aracaju tem um projeto para transformá-lo numa Casa da Cultura, com a construção de salas de teatro e cinema, cybercafé e espaço para exposição de arte, sem alterar sua conformação arquitetônica.

Edifício Estado de Sergipe

Em 1970 o aracajuano ganha um motivo a mais para ter orgulho de sua terra: a cidade passa a abrigar o edifício mais alto do Nordeste - posto que perde três anos depois. Batizado Edifício Estado de Sergipe, o prédio fica mais famoso como ‘Maria Feliciana', numa alusão à ilustre sergipana que àquela época era considerada a mulher mais alta do país. "Foi um dos primeiros modelos da arquitetura moderna em Aracaju", comenta Amâncio.

Amâncio Cardoso (Foto: Alejandro Zambrana)

Ainda hoje considerado o maior do Estado, o espigão de 28 andares e 96 metros de altura simboliza o início do período de desenvolvimento econômico de Sergipe. "Naquele período chegaram grandes empresas nacionais, como a Petrobras", lembra o historiador, explicando que o ‘Maria Feliciana' é composto por concreto armado e vidraças características da arquitetura moderna. Desde o seu lançamento, o edifício é ocupado pelo Banco do Estado de Sergipe (Banese) e por outras repartições públicas.

Edifício Maria Feliciana é o mais alto do Estado (Foto: André Moreira)

Aracaju vai ganhar primeira Casa da Cultura

Aracaju vai ganhar primeira Casa da Cultura


O antigo prédio da Alfândega, no Centro Histórico de Aracaju, vai se transformar em breve na primeira Casa da Cultura da cidade. O projeto básico, elaborado pela Prefeitura Municipal, está pronto e os recursos garantidos. A previsão é que a obra comece no segundo semestre deste ano.

A estrutura é tombada e por isso a edificação original, construída no século XIX, mais precisamente em 1856, será mantida. A proposta prevê a recuperação do prédio e a implantação de salas de teatro, cinema, áudio-visual, leitura, espaço multimídia, loja de suvenir e biblioteca. A Gerência do Patrimônio da União já garantiu a cessão do imóvel à Prefeitura de Aracaju.

O investimento estimado é de R$ 2 milhões. "O custo exato da obra só será definido depois que os projetos complementares, que incluem a parte elétrica e hidráulica, por exemplo, estiverem prontos", explica o secretário municipal de Planejamento, Dulcival Santana.

Metade desse valor será custeado pela Prefeitura e o restante dos recursos virá de um financiamento aprovado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O contrato está sendo analisado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) do Governo Federal e em seguida deverá ser encaminhado ao Senado para aprovação final.

Todo esse processo deve levar em média quatro meses. "Depois disso, o dinheiro será liberado. Queremos adiantar a conclusão dos projetos complementares e deixar a licitação encaminhada para que assim que estivermos com o dinheiro possamos iniciar a obra", antecipa Dulcival Santana.

Funcionamento

A Casa da Cultura deverá funcionar durante o dia e também à noite e aos fins de semana. No local, será possível a oferta de cursos e oficinas de artes, além da apresentação de grupos folclóricos, dança, teatro e cantores locais. A própria Prefeitura de Aracaju se encarregará da programação.

A intenção é criar um novo ponto de atração de turistas e oferecer à população local mais uma alternativa de lazer. A transformação da antiga Alfândega na Casa da Cultura também irá garantir a conservação do prédio, que, sendo um dos mais antigos da cidade, marca o início do processo de urbanização da capital sergipana.

Por não ter uso, a estrutura está bastante deteriorada. Ao longo de vários anos, o prédio foi alvo não só da ação do tempo, mas também de vândalos e arrombadores. "A Guarda Municipal tem que estar sempre de olho para evitar que levem janelas, telhas e outros materiais", conta o secretário de Planejamento.

Projeto

O projeto que prevê a transformação da antiga Alfândega na primeira Casa da Cultura da cidade está inserido em um projeto maior, voltado à modernização da cidade. Ao todo, serão investidos US$ 60,5 milhões, sendo metade fruto de empréstimo junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a outra parcela uma contrapartida da Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA).

Os recursos vão ser empregados em obras do Programa Procidades, com destaque para a abertura de uma grande avenida ligando o bairro Jardins ao conjunto Augusto Franco, passando pelo Inácio Barbosa; a construção de uma ponte sobre o rio Poxim e de um viaduto sobre a avenida Tancredo Neves; e melhorias infra-estruturais em bairros carentes da Zona Norte, como Getimana, Cidade Nova, Soledade e Olaria.

Fonte: Prefeitura de Aracaju
http://www.visitearacaju.com.br/interna.php?obj=cultura&var=601151